DA RECLUSÃO À DESATIVAÇÃO DO HOSPITAL COLÔNIA: A EXPERIÊNCIA VIVENCIADA PELOS HANSENIANOS DE MARITUBA

  • Francisco Pinto Bezerra Universidade Federal do Pará
  • Marcus Vinicius Azevedo Nepomuceno Universidade Federal do Pará
  • Silvana Quadros Barbosa Universidade Federal do Pará

Resumo

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, maculada por insensibilidade e mancha na pele que, se evoluída, causa deformações nas extremidades dos dedos e na face. O preconceito contra os hansenianos de que poderiam contaminar os sadios resultou na construção dos hospitais colônias, gerando problema da cisão entre o paciente e o convívio familiar e social. O objetivo do artigo foi analisar a trajetória de reclusão, isolamento e de segregação social vivenciada pelos hansenianos, com enfoque nas estratégias adotadas pelos internos para superar as adversidades durante o período de internamento. A metodologia adotada foi a abordagem historiográfica, que permitiu realizar análise sobre a história dos hansenianos de Marituba, a partir da história oral narrada pelos sujeitos através do questionário, cujo discurso foi sustentado por autores que discutem a história na perspectiva das pessoas comuns. Os resultados revelam que os hansenianos foram capazes de reelaborar suas vidas, através de estratégias afetivas, a ponto de garantirem boa estadia durante a permanência na Colônia, indicando que os internos não tiveram o seu modo de vida interrompido. Conclui-se que as estratégias adotadas pelos hansenianos para superar as adversidades na Colônia foram: a interação, socialização, colaboração, organização, ajuda mútua e o compartilhamento de tarefas, enfim os laços de amizade e de solidariedade foram fundamentais para superar o confinamento, solidão e a revolta contra o sistema de tratamento coercitivo.


Palavras-chave: Preconceito. Reclusão. Estratégias. Laços afetivos.

Biografia do Autor

##submission.authorWithAffiliation##

Mestre em Planejamento do Desenvolvimento. Belém, Pará, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Licenciado em História. Belém, Pará, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Licenciada em História. Belém, Pará, Brasil.

Referências

1. Damasco MS. História e memória da hanseníase no Brasil do século XX: o olhar e a voz do paciente [trabalho de conclusão de curso]. Rio de Janeiro (RJ): Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; 2005.
2. Cunha VS. O isolamento compulsório em questão: políticas de combate à lepra no Brasil (1920-1941) [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Fundação Oswaldo Cruz; 2005.
3. Puntel MA. Um pouco de história da hanseníase. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1997.
4. Ribeiro MNS. De leprosário a bairro: a reprodução social em espaço de segregação na Colônia Antônio Aleixo (Manaus-AM). São Paulo: Manas; 2011.
5. Ducatti I. A hanseníase no Brasil na Era Vargas e a profilaxia do isolamento compulsório: estudos sobre o discurso científico legitimador [tese]. São Paulo (SP): Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo; 2008.
6. Berlatto O. A construção da identidade social. Rev Curso Direito FSG. 2009;3(5):141-51.
7. Sharpe J. A história vista de baixo. In: BURKE P, organizador. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo (SP): Unesp; 1992. p. 28-49.
8. Thompson P. A voz do passado: história oral. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1992.
9. Le Goff J. Documento e monumento. In: História & memória. Tradução de Irene Ferreira, Bernardo Leitão e Suzana Ferreira Borges. 5ª ed. São Paulo: Unicamp; 2003. p. 35-49.
10. Foucault M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro: Vozes; 2001.
11. Silva JB. A ex-colônia de hansenianos de Marituba: perspectivas histórica, sociológica e etnográfica. Paper do NAEA 234. Belém (PA): NAEA; 2009.
12. Costa GD, Rocha GOR. A escolarização de hansenianos no estado do Pará do século: primeiras aproximações. Anais do 9º Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas: História, Sociedade e Educação no Brasil. João Pessoa: HISTEDBR; 2012.
13. Foucault M. História da loucura. 7a ed. São Paulo (SP): Perspectiva; 1997.
14. Brasil. Medida Provisória n. 373, de 24 de maio de 2007. Dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios. Brasília (DF); 2007.
15. Navarro BS. Marituba: a convivência com os egressos. Jornal O Liberal. 1980 jan 24:1;8.
16. Branco AC. Hansenianos contra desativação das colônias. A Província do Pará. 1979 out 19;1:11.
Publicado
2020-06-26
Como Citar
BEZERRA, Francisco Pinto; NEPOMUCENO, Marcus Vinicius Azevedo; BARBOSA, Silvana Quadros. DA RECLUSÃO À DESATIVAÇÃO DO HOSPITAL COLÔNIA: A EXPERIÊNCIA VIVENCIADA PELOS HANSENIANOS DE MARITUBA. Revista Baiana de Saúde Pública, [S.l.], v. 42, n. 3, jun. 2020. ISSN 2318-2660. Disponível em: <http://rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/view/2311>. Acesso em: 23 out. 2020. doi: https://doi.org/10.22278/2318-2660.2018.v42.n3.a2311.
Seção
Artigos originais de temas livres

Palavras-chave

Preconceito. Reclusão. Estratégias. Laços afetivos.