PERCEPÇÕES DE ADOLESCENTES ACERCA DO ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

  • Antonio Rodrigues Ferreira Junior Universidade Estadual do Ceará http://orcid.org/0000-0002-9483-8060
  • Rosalice Araújo de Sousa Albuquerque Centro Universitário INTA
  • Angelisa Araújo de Sousa Prefeitura Municipal de Sobral
  • Maria Eunice Nogueira Galeno Rodrigues Universidade Estadual do Ceará

Resumo

A violência é um fenômeno presente no cotidiano dos adolescentes. Nessa perspectiva, os profissionais da Atenção Primária à Saúde devem discutir o envolvimento da temática em seu processo de trabalho. A pesquisa objetiva a análise das percepções dos adolescentes acerca do enfrentamento da violência, desenvolvido pelos profissionais da Estratégia Saúde da Família. Este estudo se trata de reanálise de material coletado de uma pesquisa exploratória-descritiva, de abordagem qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas para nove adolescentes, em município da região norte do Ceará, Brasil. Para o tratamento dos resultados adotou-se a hermenêutica-dialética com análise temática, com a construção de três categorias, com base na releitura do material: a violência no cotidiano do adolescente; a banalização da violência; relação dos adolescentes com a equipe de saúde local. Evidenciou-se que os adolescentes estão expostos à violência na sua comunidade, o que contribui para naturalização deste fenômeno. Quanto à equipe de saúde, esta tem dificuldade em construir atrativos direcionados aos adolescentes, causando pouca procura deste público. No entanto, são geradas necessidades no cotidiano dos adolescentes que merecem atenção específica dos profissionais. Percebe-se que a participação da Estratégia de Saúde da Família deve ser ampliada, pois a violência atualmente precisa ser vista como situação que perpassa todas as políticas públicas.


Palavras-chave: Adolescência. Violência. Saúde da família.

Biografia do Autor

##submission.authorWithAffiliation##

Doutor em Saúde Coletiva. Docente da Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza, Ceará, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Mestre em Saúde Coletiva. Docente do Centro Universitário Inta. Sobral, Ceará, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Enfermeira. Sobral, Ceará, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Enfermeira. Fortaleza, Ceará, Brasil.

Referências

1. Barbosa PV, Wagner A. A autonomia na adolescência: revisando conceitos, modelos e variáveis. Estud Psicol. 2013;18(4):639-48.
2. Minayo MCS, Gualhano L. Problemas sociais e de saúde na adolescência. Ciênc Saúde Colet. 2015;20(11).
3. Reyes HLM, Foshee VA, Markiewitz N, Chen MS, Ennett ST. Contextual risk profiles and trajectories of adolescent dating violence perpetration. Prev Sci. 2018;19(7):1-11.
4. Carlos DM, Pádua EMM, Ferriani MGC. Violência contra crianças e adolescentes: o olhar da Atenção Primária à Saúde. Rev Bras Enferm. 2017;70(3):511-8.
5. Cerqueira D, Lima RS, Bueno S, Valencia LI, Hanashiro O, Machado PHG, Lima AS. Atlas da violência 2017. Rio de Janeiro (RJ): Ipea; 2017.
6. Taylor LK, Merrilees CE, Goeke-Morey MC, Shirlow P, Cairns E, Cummings EM. Political violence and adolescent out-group attitudes and prosocial behaviors: implications for positive inter-group relations. Soc Dev. 2014;23(4):840-59.
7. Malta DC, Bernal RTI, Pugedo FSF, Lima CM, Mascarenhas MDM, Jorge AO, Melo EM. Violências contra adolescentes nas capitais brasileiras, segundo inquérito em serviços de urgência. Ciênc Saúde Colet. 2017;22(9):2899-908.
8. Scorgie F, Baron D, Stadler J, Venables E, Brahmbhatt H, Mmari K. From fear to resilience: adolescents’ experiences of violence in inner-city Johannesburg, South Africa. BMC Public Health. 2017;17(3):441.
9. Garuzi M, Achitti MCO, Sato CA, Rocha AS, Spagnuolo RS. Acolhimento na estratégia saúde da família: revisão integrativa. Rev Panam Salud Publica. 2014;35(2):144-9.
10. Silva CSO, Barbosa DA, Barbosa IA, Cruz IA, Marques KP. O adolescente na Estratégia Saúde da Família: uma revisão integrativa de literatura. Adolesc Saúde. 2016;13(3):76-87.
11. Akerström M, Jakobsson K, Wästerfors D. Reanalysis of previously collected material. In: Seale C, Gobo G, Gubrium GF, Silverman D, editores. Qualitative research practice. London: SAGE; 2007. p. 314-27.
12. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14a ed. São Paulo (SP): Hucitec; 2014.
13. Habermas J. Dialética e hermenêutica: para a crítica da hermenêutica de Gadamer. Porto Alegre (RS): L± 1987.
14. Vieira Netto MF, Deslandes SF. As estratégias da saúde da família no enfrentamento das violências envolvendo adolescentes. Ciênc Saúde Colet. 2016;21(5):1583-95.
15. Izaguirre A, Calvete E. Exposure to family violence and internalizing and externalizing problems among Spanish adolescents. Violence Vict. 2018;33(2):368-82.
16. Ismayilova L. Spousal violence in 5 transitional countries: a population-based multilevel analysis of individual and contextual factors. Am J Public Health. 2015;105(11):12-22.
17. Rocha VMA, Aquino FC, Belisário SA. Violência contra a criança e o adolescente: marcos jurídicos e institucionais. Rev Med Minas Gerais. 2016;26(8):S324-9.
18. Deslandes S, Mendes CHF, Pinto LW. Proposição de um índice do enfrentamento governamental à violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes. Cad Saúde Pública. 2015;31(8):1709-20.
19. Santos JC, Yakuwa MS. A Estratégia Saúde da Família frente à violência contra crianças: revisão integrativa. Rev Soc Bras Enferm Ped. 2015;15(1):38-43.
20. Machado JC, Rodrigues VP, Vilela ABA, Simões AV, Morais RLGL, Rocha EN. Violência intrafamiliar e as estratégias de atuação da equipe de Saúde da Família. Saúde Soc. 2014;23(3):828-40.
21. Sousa ABL, Cruz ACD. Implantação da caderneta do adolescente: relato do município de Manaus. Adolesc Saúde. 2015;12(1):52-9.
22. Howard J. Jovens, drogas e redes comunitárias. Adolesc Saúde. 2013;10(2):23-33.
23. Pereira AS, Vieira LJES, Catrib AMF, Lira SVG, Moreira DP, Barros NF. Percepção dos gestores do setor saúde sobre ações intersetoriais de prevenção da violência contra crianças e adolescentes. In: Silva RM, Catrib AMF, organizadores. Promoção de saúde na adolescência e concepções de cuidados. Fortaleza (CE): Eduece; 2014. p. 143-64.
24. Ribeiro MSS, Ribeiro CV. Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE): elementos para avaliação de projetos sociais em Juazeiro, Bahia, Brasil. Interface. 2015;19(53):337-48.
25. Gonçalves CFG, Silva LMP, Pitangui ACR, Silva CC, Santana MV. Atuação em rede no atendimento ao adolescente vítima de violência: desafios e possibilidades. Texto Contexto Enferm. 2015;24(4):976-83.
26. Barros, LO, Murgo CS. Projetos de carreira de adolescentes: contribuições de uma intervenção em orientação profissional em um centro de referência em assistência social. Pesqui Prát Psicossociais. 2017;12(2):298-309.
27. Senna SRCM, Dessen MA. Reflexões sobre a saúde do adolescente brasileiro. Psicol Saúde Doenças. 2015;16(2):217-29.
28. Avanci JQ, Pinto LW, Assis SG. Atendimento dos casos de violência em serviços de urgência e emergência brasileiros com foco nas relações intrafamiliares e nos ciclos de vida. Ciênc Saúde Colet. 2017;22(9):2825-40.
Publicado
2020-06-26
Como Citar
FERREIRA JUNIOR, Antonio Rodrigues et al. PERCEPÇÕES DE ADOLESCENTES ACERCA DO ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Revista Baiana de Saúde Pública, [S.l.], v. 42, n. 3, jun. 2020. ISSN 2318-2660. Disponível em: <http://rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/view/2838>. Acesso em: 15 jul. 2020. doi: https://doi.org/10.22278/2318-2660.2018.v42.n3.a2838.
Seção
Artigos originais de temas livres