CONSUMO DE NUTRIENTES NO PRIMEIRO E TERCEIRO TRIMESTRES GESTACIONAIS E PESO AO NASCER: COORTE NISAMI

  • Tialla Ravenna Silva Santos Universidade Federal da Bahia
  • Jerusa da Mota Santana Universidade Federal da Bahia
  • Cinthia Soares Lisboa Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Djanilson Barbosa dos Santos Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Resumo

A inadequação no consumo de nutrientes pode comprometer o crescimento fetal e resultar em baixo peso ao nascer ou em macrossomia fetal. Busca-se aqui identificar a relação entre consumo de energia, macronutrientes e micronutrientes no primeiro e terceiro trimestre gestacional e o peso ao nascer. Trata-se de estudo transversal aninhado em coorte prospectiva longitudinal com 166 gestantes do serviço público entrevistadas, no período de abril de 2012 a novembro de 2013. Para comparar as médias de consumo alimentar no primeiro e terceiro trimestre com o peso ao nascer foi utilizado o Test T de Student, com nível de significância estatística com valores de p < 0,05. Foi observado que as crianças com peso ao nascer inadequado (< 3.000 g) apresentaram consumo médio mais elevado de calorias (p = 0,02) e carboidratos (p = 0,04) no primeiro trimestre. E no terceiro trimestre identificaram-se diferenças nas médias de consumo de proteína (p = 0,02) segundo as categorias de peso ao nascer, já que mulheres que tiveram crianças com peso adequado (≥ 3.000 g) apresentaram consumo médio maior de proteína (médias = 72,66 g). O consumo alimentar de gestantes tem influência sobre a situação nutricional do concepto, especialmente no terceiro trimestre de gestação, momento em que a ingestão proteica materna teve maior relevância para o peso ao nascer.


Palavras-chave: Gravidez. Recém-nascido. Peso ao nascer.

Biografia do Autor

##submission.authorWithAffiliation##

Nutricionista. Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Nutricionista. Doutora em Saúde Pública. Docente da Universidade Federal da Bahia. Salvador, Bahia, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Nutricionista. Mestre em Saúde Coletiva. Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil.

##submission.authorWithAffiliation##

Farmacêutico. Doutor em Saúde Pública. Docente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil.

Referências

1. Accioly E, Saunders C, Lacerda EMA. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro (RJ): Cultura Médica; 2002.
2. Ziegel EE, Cranley MS. Enfermagem obstétrica. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 1985.
3. Francisqueti FV, Rugolo LMSS, Silva EG, Peraçolli JC, Hirakawa HS. Estado nutricional materno na gravidez e sua influência no crescimento fetal. Rev Simbio-Logias. 2012;5(7):74-86.
4. Genehr S, Manfio F, Jonh E, Mattos KM, Blumke AC. Consumo alimentar de gestantes atendidas em duas unidades básicas de saúde de Santa Maria/RS. Anais do 15º Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão; 2011; Santa Maria. Santa Maria (RS): Unifra; 2011.
5. Gonçalves AA, Celaro M. Sucos para gestantes: um estudo de mercado. Estud Tecnol. 2009;5(1):1-13.
6. Hedrich A, Novello D, Ruviaro L, Alves J, Quintiliano DA. Perfil alimentar, estado nutricional, de saúde e condições socioeconômicas de gestantes assistidas por centros de saúde do município de Guarapuava-PR. Rev Salus. 2007;1(2):139-46.
7. Melo ASO, Assunção PL, Gondim SSR, Carvalho DF, Amorim MMR, Benício MHDA, et al. Estado nutricional materno, ganho de peso gestacional e peso ao nascer. Rev Bras Epidemiol. 2007;10(2):249-57.
8. Kerche LTRL, Abbade JF, Costa RAA, Rudge MVC, Calderon IMP. Fatores de risco para macrossomia fetal em gestações complicadas por diabete ou por hiperglicemia diária. Rev Bras Ginecol Obstet. 2005;27(10):580-7.
9. Rizvi SA, Hatcher J, Jehan I, Qureshi R. Maternal risk factors associated with low birth weight in Karachi: a case-control study. East Mediterr Health J. 2007;13(6):1343-52.
10. Campos ABF, Pereira RA, Queiroz J, Saunders C. Ingestão de energia e de nutrientes e baixo peso ao nascer: estudo de coorte com gestantes adolescentes. Rev Nutr. 2013;26(5):551-61.
11. Carniel EF, Zanolli ML, Antonio MARGM, Morcillo AM. Determinantes do baixo peso ao nascer a partir das declarações de nascidos vivos. Rev Bras Epidemiol. 2008;11(1):169-79.
12. Brasil. Ministério da Saúde. Datasus: Santo Antônio de Jesus [Internet]. 2014 [citado em 2020 maio 24]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvBA.def
13. Brasil. Ministério da Saúde. Datasus [Internet]. 2014 [acesso em 2017 out 30]. Disponível em: http: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?siab/cnv/SIABSba.def
14. Siqueira FV, Facchini LA, Silveira DS, Piccini RX, Tomasi E, Thumé E, et al. Prevalence of falls in elderly in Brazil: a countrywide analysis. Cad Saúde Pública. 2011;27(9):1819-26.
15. Demétrio F, Pinto EJ, Assis AMO. Fatores associados à interrupção precoce do aleitamento materno: um estudo de coorte de nascimento em dois municípios do Recôncavo da Bahia, Brasil. Cad Saúde Pública. 2012;28(4):641-54.
16. Martins APB, Benicio MHDA. Influência do consumo alimentar na gestação sobre a retenção de peso pós-parto. Rev Saúde Pública. 2011;45(5):870-7.
17. Lohman TG, Roche AF, Martorell RAF, editores. Anthropometric standardization reference manual. Champaign: Human Kinetics; 1988.
18. Brasil. Ministério da Saúde. Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAM: orientações básicas para a coleta, o processamento, a análise e a informação em serviços de saúde. Brasília (DF); 2004.
19. Monteiro JP, Pfrimer K, Tremeschin MHJ, Molina MC, Chiarello P, coordenadores. Consumo alimentar: visualizando porções. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 2007.
20. Santana JM. Identificação de padrões de consumo alimentar ao longo da gestação e associação com o peso ao nascer: um estudo de coorte [dissertação]. Salvador (BA): Universidade Federal da Bahia; 2014.
21. Universidade Estadual de Campinas. Tabela brasileira de composição de alimentos. 4a ed. Campinas (SP): Unicamp; 2011.
22. Araújo ES, Santana JM, Brito SM, Santos DB. Consumo alimentar de gestantes atendidas em unidades de saúde. Mundo Saúde. 2016;40(1):28-37.
23. Contreras J, Hernández JC, Arnaiz MG. Alimentación y cultura: perspectivas antropológicas. Barcelona: Ariel; 2005.
24. Lizo CLP, Lizo ZA, Aronson E, Segre CAM. Relação entre ganho de peso materno e peso do recém-nascido. J Pediatr. 1998;74(2):114-8.
25. Vitolo MR. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro (RJ): Rubio; 2012.
26. Semprebom RM, Ravazzani E. Avaliação nutricional e análise da ingestão proteica em gestantes. Cad Escola Saúde. 2014;1(11):103-15.
27. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília (DF); 2008.
28. Lucyk JM, Furumoto RV. Necessidades nutricionais e consumo alimentar na gestação: uma revisão. Comun Ciênc Saúde. 2008;19(4):353-63.
29. Crispim SP, Ribeiro RCL, Panato E, Silva MMS, Rosado LEFP, Rosado GP. Validade relativa de um questionário de frequência alimentar para utilização em adultos. Rev Nutr. 2009;22(1):81-95.
Publicado
2020-08-12
Como Citar
SANTOS, Tialla Ravenna Silva et al. CONSUMO DE NUTRIENTES NO PRIMEIRO E TERCEIRO TRIMESTRES GESTACIONAIS E PESO AO NASCER: COORTE NISAMI. Revista Baiana de Saúde Pública, [S.l.], v. 42, n. 4, p. 597-610, ago. 2020. ISSN 2318-2660. Disponível em: <http://rbsp.sesab.ba.gov.br/index.php/rbsp/article/view/2862>. Acesso em: 18 set. 2020. doi: https://doi.org/10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2862.
Seção
Artigos originais de temas livres