CONDIÇÕES DE VIDA, SAÚDE E MORBIDADE DE COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO SEMIÁRIDO BAIANO, BRASIL

  • Roberta Lima Machado de Souza Araújo Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Edna Maria de Araújo Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Hilton Pereira da Silva Universidade Federal do Pará
  • Carlos Antonio de Souza Teles Santos Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Felipe Souza Nery Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Djanilson Barbosa dos Santos Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
  • Betania Lima Machado de Souza Universidade Estadual de Feira de Santana
Palavras-chave: Perfil epidemiológico, Condição de vida, Grupos com ancestrais do continente africano

Resumo

A exclusão social à qual as comunidades quilombolas estão expostas, em todo o território brasileiro, tem favorecido sua vulnerabilidade socioeconômica, ambiental, o que se traduz em precárias condições de vida e saúde. Este estudo tem como objetivo analisar as condições de vida, saúde e morbidade referidas pelas comunidades quilombolas do semiárido baiano. Trata-se de um estudo transversal realizado nas comunidades quilombolas de Matinha dos Pretos e Lagoa Grande no município de Feira de Santana (BA), com indivíduos adultos (≥ 18 anos). Os dados foram coletados por meio da aplicação de três instrumentos e analisados utilizando-se o pacote estatístico Stata 14.0. Resultados: dos 864 entrevistados, 63,0% são do sexo feminino; 47,8%, casados, apresentando uma média de idade de 42,6 anos (IC 95%: 41,1 – 44,2), e de escolaridade, variando de 6 a 7 anos de estudo em média. A maioria realiza trabalhos informais, especialmente nas funções relacionadas à agricultura. Em relação à vulnerabilidade ambiental, é de se destacar que 99,5% das casas não possuem rede de esgoto. Observou-se que a maioria raramente procura os serviços de saúde. As doenças de maior prevalência foram: doenças da coluna, doenças parasitárias e hipertensão arterial. Os principais agravos relacionados à saúde mental foram: ansiedade (n = 231); transtornos mentais comuns (n = 159) e fobias (n = 107). Os resultados demonstraram que as comunidades quilombolas de Feira de Santana (BA) encontram-se vulnerabilizadas, condição que revela a necessidade de intervenções sociais e de saúde, com vistas à melhoria da condição de vida e saúde dos quilombolas.

Palavras-chave: Perfil epidemiológico. Condição de vida. Grupos com ancestrais do continente africano.

Biografia do Autor

Roberta Lima Machado de Souza Araújo, Universidade Estadual de Feira de Santana

Mestra em Saúde Coletiva. Docente da Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana, Bahia, Brasil.

Edna Maria de Araújo, Universidade Estadual de Feira de Santana

Doutora em Saúde Pública. Docente da Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana, Bahia, Brasil.

Hilton Pereira da Silva, Universidade Federal do Pará

Doutor em Antropologia. Docente da Universidade Federal do Pará. Belém, Pará, Brasil.

Carlos Antonio de Souza Teles Santos, Universidade Estadual de Feira de Santana

Doutor em Saúde Pública. Docente da Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana, Bahia, Brasil.

Felipe Souza Nery, Universidade Estadual de Feira de Santana

Doutor em Epidemiologia em Saúde Pública. Docente da Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana, Bahia, Brasil.

Djanilson Barbosa dos Santos, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Doutor em Saúde Pública. Docente da Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana, Bahia, Brasil.

Betania Lima Machado de Souza, Universidade Estadual de Feira de Santana

Mestra em Planejamento Territorial. Docente do Instituto Federal Baiano. Salvador, Bahia, Brasil.

Referências

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Publicado
2020-10-20
Seção
Artigos originais de temas livres