A (IN)VISIBILIDADE DO SURDO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

  • Desirée De Vit Begrow Universidade Federal da Bahia
  • Daniella Souza Santos Universidade Federal da Bahia
  • Marília Emanuela Ferreira de Jesus Universidade Federal da Bahia
  • Manôa Marques de Carvalho Bispo CEPRED
  • Mayara Pinheiro de Souza Universidade Federal da Bahia
  • Priscilla Santos Costa Secretaria Municipal de Saúde
Palavras-chave: Unidade de Saúde da Família, Surdez, Programa de Educação pelo Trabalho

Resumo

O Programa de Educação pelo Trabalho-Saúde/Redes de Atenção à Saúde do Surdo (PET-Saúde/Redes) visa colaborar na implantação da rede de atenção à saúde das pessoas com deficiência, tomando como ponto de partida a Unidade de Saúde da Família (USF). Este artigo relata a experiência dos participantes do PET na busca ativa dos surdos em uma USF de Salvador, Bahia. Este relato de experiência foi desenvolvido por integrantes do PET-Saúde/Redes – uma graduanda de enfermagem e uma de fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia –, sob preceptoria de fisioterapeuta, integrante do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, no período de setembro de 2014 a junho de 2015. A partir da experiência no PET, constatou-se que a inexistência de notificações sobre os surdos na USF se devia à falta de informação dos profissionais de saúde sobre a presença destes na região, e mesmo ao se depararem com as pessoas localizadas pelo projeto, foi externado despreparo para lidar com esses usuários. Essa constatação implica a necessidade de ações mais específicas de sensibilização para ampliar o olhar da equipe sobre essa população já historicamente estigmatizada, ações que envolvem desde a gestão da unidade até o esclarecimento por meio de atividades de educação em saúde com toda a comunidade, sobre como a atenção primária pode contribuir na melhor qualidade de vida das pessoas sob seu cuidado.

Palavra-chave: Unidade de Saúde da Família. Surdez. Programa de Educação pelo Trabalho.

Biografia do Autor

Desirée De Vit Begrow, Universidade Federal da Bahia

Fonoaudióloga. Doutora em Educação. Professora Associada do Departamento de Fonoaudiologia na Universidade Federal da Bahia. Salvador, Bahia, Brasil.

Daniella Souza Santos, Universidade Federal da Bahia

Graduanda em Fonoaudiologia na Universidade Federal da Bahia. Salvador, Bahia, Brasil.

Marília Emanuela Ferreira de Jesus, Universidade Federal da Bahia

Enfermeira. Mestranda em Enfermagem e Saúde no Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Camaçari, Bahia, Brasil.

Manôa Marques de Carvalho Bispo, CEPRED

Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Materno-Infantil. Lauro de Freitas, Bahia, Brasil.

Mayara Pinheiro de Souza, Universidade Federal da Bahia

Fonoaudióloga. Mestranda em Medicina e Saúde Humana pela Bahiana – Escola de Medicina e Saúde Pública. Salvador, Bahia, Brasil.

Priscilla Santos Costa, Secretaria Municipal de Saúde

Fisioterapeuta. Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Salvador, Bahia, Brasil.

Referências

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Publicado
2020-08-12
Seção
Relato de experiências