ITINERÁRIO TERAPÊUTICO COMO BUSCA DO CUIDADO AO PACIENTE COM DOENÇA FALCIFORME

Palavras-chave: Assistência farmacêutica, Assistência à saúde, Doença falciforme, Medicamentos de uso contínuo, Trajetória clínica

Resumo

A forma como são realizadas as mudanças nos processos de trabalho na área da saúde precisam ser sensíveis ao itinerário terapêutico possível dos seus usuários. No caso dos pacientes com doença falciforme (DF), é preciso analisar a necessidade de consultas frequentes em centros de referência e que a dispensação de medicamentos pós-consulta pode impactar na adesão ao tratamento. O objetivo deste estudo foi descrever o itinerário terapêutico de pacientes com DF na busca pelos medicamentos. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado por meio de entrevista semiestruturada, realizado com 12 participantes (pacientes e cuidadores) no Centro de Referência para DF do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, localizado na região Sul do Brasil, entre outubro e novembro de 2017. Quatro principais categorias foram identificadas: (1) Descoberta da doença, (2) Busca dos medicamentos, (3) Itinerários terapêuticos e (4) Linha do cuidado. Observou-se que existe um desconhecimento por parte dos entrevistados sobre as mudanças realizadas na forma de retirada dos medicamentos para tratamento da doença, fazendo com que seus itinerários terapêuticos estejam desorganizados no sistema de saúde. Anteriormente, os medicamentos eram retirados no centro de referência hospitalar, mas passaram a ser dispensados nas farmácias do estado no município de origem dos pacientes. A partir das informações levantadas, conclui-se que o desconhecimento relatado evidencia que a presença do profissional farmacêutico pode aproximar a dispensação do medicamento da realidade das pessoas com DF que necessitam de um olhar particularizado na atenção à saúde.

Biografia do Autor

Cassiela Roman, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Farmacêutica. Mestre em Assistência Farmacêutica. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Marina da Silva Campos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Farmacêutica. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Denise Bueno, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Farmacêutica. Doutora em Ciências Biológicas (Bioquímica). Docente do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde e do Programa de Pós-Graduação em Assistência Farmacêutica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Referências

Roman C, Bueno D. Distribuição espacial de casos da Doença Falciforme em um estado do sul do Brasil com base no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. Saúde Redes. 2018;4(2):99-111.

Carvalho SC, Carvalho LC, Fernandes JG, Santos MJS. Em busca da equidade no sistema de saúde brasileiro: o caso da doença falciforme. Saúde Soc. 2014;23(2):711-18.

Valencio LFS, Domingos CRB. O processo de consentimento livre e esclarecido nas pesquisas em doença falciforme. Rev Bioét (Impr). 2016;24(3):469-77.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Doença falciforme: diretrizes básicas da linha de cuidado. Brasília (DF); 2015.

Arduini GAO, Rodrigues LP, De Marqui, ABT. Mortality by sickle cell disease in Brazil. Rev Bras Hematol Hemoter. 2017;39(1):52-6.

Ware RE, Montalembert M, Tshilolo L, Abboud MR. Sickle cell disease. The Lancet. 2017;390(10091):311-23.

Menezes ASOP, Len CA, Hilario MOE, Terreri MTRA, Braga JAP. Qualidade de vida em portadores da doença falciforme. Rev Paul Pediatr. 2013;31(1):24-9.

World Health Organization. Regional office for Africa. Sickle Cell Disease [Internet].c2020 [citado em 2017 out 24]. Disponível em: http://www.afro.who.int/health-topics/sickle-cell-disease

Amaral JL, Almeida NA, Santos PS, Oliveira PP, Lanza FM. Perfil sociodemográfico, econômico e de saúde de adultos com doença falciforme. Rev Rene. 2015;16(3):296-305.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Doença falciforme: Hidroxiureia – uso e acesso. Brasília (DF); 2014.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 822, de 06 de junho de 2001. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde, o Programa Nacional de Triagem Neonatal/PNTN. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2001 jun 6.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.391, de 16 de agosto de 2005. Institui no âmbito do Sistema Único de Saúde, as diretrizes para a Política Nacional de Atenção Integral às pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2005 ago 18.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 204, de 29 de janeiro de 2007. Regulamenta o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços de saúde, na forma de blocos de financiamento, com o respectivo monitoramento e controle. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2007 jan 31.

Vieira FS. Assistência farmacêutica no sistema público de saúde no Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2010;27(2):149-56.

Guerin GD, Rossoni E, Bueno D. Itinerários terapêuticos de usuários de medicamentos de uma unidade de Estratégia de Saúde da Família. Ciênc Saúde Colet. 2012;17(11):3003-10.

Alves SP. Utilização de medicamentos em pacientes pediátricos ambulatoriais com fibrose cística. [dissertação]. Porto Alegre (RS): Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2016.

Bueno D. Itinerário terapêutico do medicamento na Rede de Atenção em Saúde. Porto Alegre (RS): Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2014.

Fontanella BJB, Ricas J, Turato ER. Amostragem por saturação em pesquisas qualitativas em saúde: contribuições teóricas. Cad Saúde Pública. 2008;24(1):17-27.

Gerhardt TE. Itinerários terapêuticos em situações de pobreza: diversidade e pluralidade. Cad Saúde Pública. 2006;22(11):2449-63.

Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n. 466, de 12 de dezembro de 2012. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2013 jun 13, seção 1, p. 59.

Strefling ISS, Monfrim XM, Lunardi Filho WD, Carvalho KK, Azevedo ALS. Conhecimento sobre triagem neonatal e sua operacionalização. Cogitare Enferm. 2014;19(1):27-33.

Ferreira SL, Cordeiro RC, Cajuhy F, Silva LS. Vulnerabilidade de pessoas adultas com doença falciforme: subsídios para o cuidado de enfermagem. Cienc Cuid Saúde. 2013;12(4):711-8.

Dias ALA, Trad LAB, Castellanos MEP. Itinerários terapêuticos de pessoas com doença falciforme: gritos rompendo o silêncio pautado pelo racismo. In: TE Gerhardt, R Pinheiro, ENF Ruiz, AG Silva Junior, organizadores. Itinerários Terapêuticos: integralidade no cuidado, avaliação e formação em saúde. 1a ed. Rio de Janeiro (RJ): CEPESC Editora; 2016. p. 361-73.

Hoss GJ, Saccilotto IC, Ribeiro CB, Brambatti AC, Santos MS, Gross LG, et al. Projeto de Qualificação do Centro de Referência para Doença Falciforme do HCPA. Clin Biomed Res. 2016;36:(Supl.):259.

Brasil. Convênio n. 01309, de 31 de dezembro de 2010. Termo de Convênio que entre si celebram a União Federal, por intermédio do Ministério da Saúde e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul / RS, visando fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2011 jan 20.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Portaria n. 45, de 10 de setembro de 2013. Incorpora a penicilina oral para profilaxia de infecção em crianças menores de cinco anos com doença falciforme no SUS. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2013 set 11.

Berwig LC, Santos CGB, Carvalho FL, Jurach GA, Pimenta LF, Weiller TH. Construção de uma linha de cuidado neonatal: percepção dos profissionais da atenção básica à saúde. Rev Baiana Saúde Pública. 2016;40(4):892-908.

Malta DC, Merhy EE. O percurso da linha do cuidado sob a perspectiva das doenças crônicas não transmissíveis. Interface (Botucatu). 2010;14(34):593-605.

Silva NEK, Sancho LG, Figueiredo WS. Entre fluxos e projetos terapêuticos: revisitando as noções de linha do cuidado em saúde e itinerários terapêuticos. Ciênc Saúde Colet. 2016;21(3):843-51.

Serafim ESS, Soares RM, Oliveira TMX, Soares MJNL. Capacitação de profissionais de saúde para o manejo da dor em adolescentes portadores de doença falciforme na atenção primária. Adolesc Saúde. 2011;8(4):55-8.

Publicado
2021-06-10
Seção
Artigos originais de temas livres