ATITUDES DE ADOLESCENTES DE ESCOLAS PÚBLICAS ACERCA DO USO DO PRESERVATIVO: UM ESTUDO DESCRITIVO

  • Gardenia Raquel de Oliveira Carvalho Secretaria Municipal de Saúde
  • Raydelane Grailea Silva Pinto Universidade Estadual do Maranhão
  • Larissa Maciel de Almeida Universidade Estadual do Maranhão
  • Márcia Sousa Santos Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão
Palavras-chave: Adolescentes, Preservativos, Atitude, Comportamento de risco

Resumo

A adolescência é um período de grandes transformações marcado pelo comportamento sexual de risco, principalmente em consequência do sexo desprotegido. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar as atitudes de adolescentes de escolas públicas acerca do uso do preservativo em todas as relações sexuais. Trata-se de um estudo descritivo, transversal, com abordagem quantitativa realizado com 195 adolescentes de escolas públicas da cidade de Caxias, Maranhão. A análise estatística foi realizada por meio do Stata versão 14.0, considerando-se uma significância estatística de ≤ 0,05. Dos 195 adolescentes que participaram da pesquisa, 55,4% eram do sexo feminino e 54,9% apresentavam idade ≥ 16 anos; 91,3% dos adolescentes apresentaram atitude positiva quanto ao uso do preservativo em todas as relações sexuais; 53,8% já haviam iniciado as relações sexuais, dos quais, 54,3% reportaram o uso do preservativo em todas as relações sexuais. No modelo de regressão logística multinomial, a concepção de que o preservativo diminui o prazer na relação sexual (= 0,001) e a intenção de fazer sexo mesmo que o(a) parceiro(a) não quisesse usar o preservativo (= 0,045) foram associados à atitude negativa sobre o uso consistente do preservativo. Apesar do bom conhecimento e atitudes positivas demonstradas pelos adolescentes acerca do uso do preservativo, eles expressam comportamentos sexuais que os tornam vulneráveis ao sexo inseguro, revelando que ainda há forte influência externa sobre suas opiniões e decisões em relação as suas atitudes e práticas sexuais.

Biografia do Autor

Gardenia Raquel de Oliveira Carvalho, Secretaria Municipal de Saúde

Enfermeira. Pós-graduanda em Enfermagem Obstétrica. Enfermeira na Maternidade Carmosina Coutinho. Caxias, Maranhão, Brasil.

Raydelane Grailea Silva Pinto, Universidade Estadual do Maranhão

Fisioterapeuta. Mestranda em Ciências e Saúde. Especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Esportiva e Gestão em Saúde. Docente no Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão e no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade Estadual do Maranhão. Caxias, Maranhão, Brasil.

Larissa Maciel de Almeida, Universidade Estadual do Maranhão

Enfermeira. Mestranda em Saúde da Família. Especialista em Urgência e Emergência e Gestão da Clínica nas Regiões de Saúde no SUS. Enfermeira na Atenção Primária à Saúde. Docente e Preceptora no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Universidade Estadual do Maranhão. Caxias, Maranhão, Brasil.

Márcia Sousa Santos, Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão

Enfermeira. Mestre em Saúde da Família. Docente e Diretora da Escola de Saúde do Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão. Diretora da Maternidade Carmosina Coutinho. Caxias, Maranhão, Brasil.

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Publicado
2021-06-09
Seção
Artigos originais de temas livres