Caracterização de pacientes com acidente vascular encefálico em atendimento fisioterapêutico em uma universidade pública

Palavras-chave: Acidente vascular encefálico, Epidemiologia, Fisioterapia

Resumo

O acidente vascular encefálico (AVE) pode levar a alterações funcionais nas áreas sensitiva, motora, cognitiva e de comunicação. Ocorre através de alterações vasculares do encéfalo, originadas de uma suspensão do fluxo sanguíneo que causa danos celulares irreversíveis, podendo ser dividido em isquêmico ou hemorrágico. O objetivo deste estudo foi identificar o perfil epidemiológico e clínico dos pacientes com acidente vascular encefálico atendidos pela fisioterapia em uma clínica escola de instituição pública na região Centro-Oeste do Brasil. Trata-se de um estudo de corte transversal, descritivo, com abordagem quantitativa. Após aprovação do Comitê de Ética, foram tabulados e analisados os dados dos prontuários, através de um formulário estruturado no programa Excel. Os resultados mostraram que, dos 138 indivíduos, 60,15% eram do sexo masculino, e a idade média foi de 59,53 anos. De acordo com a etiologia, 45,3% sofreram AVE isquêmico; 52,5% possuíam hemiplegia à direita, e 16,55% tiveram múltiplos AVE; 78,98% eram hipertensos; 97,1% utilizavam medicamentos. Em relação ao diagnóstico funcional, a maioria possuía déficit de equilíbrio (39,9%); o objetivo fisioterapêutico mais frequente foi melhorar a amplitude de movimento (96,4%), e a conduta prevalente foi o alongamento (65,9%). Concluiu-se que como a incidência de AVE na população e o desenvolvimento de tecnologias assistivas vêm aumentando a cada dia, menos pacientes morrem por conta do AVE, por isso, faz-se necessário o desenvolvimento de estratégias de prevenção primária, como campanhas educativas, além da prevenção secundária, que por meio da fisioterapia precoce, pode reduzir a proporção de pacientes com incapacidades e melhorar a funcionalidade desses indivíduos.

Biografia do Autor

Mariana Araújo Goes da Mota, Universidade Estadual de Goiás

Fisioterapeuta. Especialista em Saúde da Criança e do Adolescente Cronicamente Adoecidos. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

Tânia Cristina Dias da Silva Hamu, Universidade Estadual de Goiás

Fisioterapeuta. Doutora em Ciências da Saúde. Docente e Coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Musculoesquelética (LAPEME) da Universidade Estadual de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil.

Rina Marcia Magnani, Universidade Estadual de Goiás

Fisioterapeuta. Doutora em Ciências da Saúde. Docente da Universidade Estadual de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil.

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Publicado
2021-11-03
Seção
Artigos originais de temas livres