ACOMPANHAMENTO NA TERCEIRA ETAPA DO MÉTODO CANGURU: DESAFIOS NA ARTICULAÇÃO DE DOIS NÍVEIS DE ATENÇÃO

  • Mae Soares da Silva Universidade Federal do Maranhão
  • Zeni Carvalho Lamy, Dra Universidade Federal do Maranhão
  • Vanda Maria Ferreira Simões, Dra Universidade Federal do Maranhão
  • Marina Uchoa Lopes Pereira Universidade Estadual de Campinas
  • Camila Mendes Costa Campelo Universidade Federal do Maranhão
  • Laura Lamas Martins Gonçalves, Dra Universidade Federal do Maranhão
Palavras-chave: Método Canguru, Atenção primária à Saúde, Cuidado da criança, Assistência à saúde, Serviços de saúde materno-infantil

Resumo

Este artigo analisa a percepção de trabalhadores de saúde sobre a articulação entre os serviços de Unidade Neonatal e da atenção primária em saúde (APS) no acompanhamento de crianças na terceira etapa do Método Canguru. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória, realizada em capital do Nordeste brasileiro, com profissionais de uma unidade neonatal de referência e de sete Unidades de Saúde. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas abordando questões gerais sobre o Método Canguru, com ênfase na terceira etapa. Fez-se análise de conteúdo na modalidade temática. Foram entrevistados 47 trabalhadores de saúde, sendo 14 da atenção especializada e 33 da atenção primária. Os profissionais de ambos os níveis de atenção perceberam os recém-nascidos pré-termo e/ou baixo peso como permanentemente frágeis, devendo ser sempre acompanhados no setor hospitalar. Durante a internação não é construída a vinculação da família com a APS e os trabalhadores da APS não reconhecem seu papel na atenção à criança egressa de unidade neonatal. No entanto, foi possível observar um movimento no sentido de promover o cuidado compartilhado. A percepção dos profissionais de saúde sobre risco das crianças que nasceram pré-termo ou de baixo peso faz, muitas vezes, com que os profissionais da APS não reconheçam a sua importância nos cuidados comuns a todas as crianças, contribuindo para a fragmentação do cuidado. A terceira etapa do Método Canguru deve acontecer com articulação entre o acompanhamento especializado e o realizado pelas equipes da APS. Assim, será possível estabelecer uma linha de cuidado que promova a continuidade da atenção.

Palavras-chave: Método Canguru. Atenção primária à Saúde. Cuidado da criança. Assistência à saúde. Serviços de saúde materno-infantil.

Biografia do Autor

Mae Soares da Silva, Universidade Federal do Maranhão

Psicóloga. Mestre em Saúde Coletiva. Universidade Federal do Maranhão. São Luís, Maranhão, Brasil.

Zeni Carvalho Lamy, Dra, Universidade Federal do Maranhão

Médica Neonatologista. Doutora em Saúde da Criança e da Mulher. Docente do Departamento de Saúde Pública e
do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Maranhão. São Luís, Maranhão, Brasil.

Vanda Maria Ferreira Simões, Dra, Universidade Federal do Maranhão

Médica. Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente. Docente da Universidade Federal do Maranhão. São Luís,
Maranhão, Brasil.

Marina Uchoa Lopes Pereira, Universidade Estadual de Campinas

Médica. Mestranda em Saúde Coletiva na Universidade Estadual de Campinas. São Luís, Maranhão, Brasil.

Camila Mendes Costa Campelo, Universidade Federal do Maranhão

Médica. Especialista em Odontologia. São Luís, Maranhão, Brasil.

Laura Lamas Martins Gonçalves, Dra, Universidade Federal do Maranhão

Psicóloga. Pós-Doutorado em Saúde Coletiva. Docente de Psicologia na Universidade do Vale dos Sinos. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Referências

1. Cardoso ACA, Romiti R. Método mãe-canguru: aspectos atuais. Pediatr. 2006;28(2):128-34.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Modelo de mobilização e diálogo social para promoção dos objetivos do desenvolvimento do milênio. 17a ed. Brasília (DF); 2006.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, a Rede Cegonha. Brasília (DF); 2011.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido: Método Canguru: manual técnico. 3a ed. Brasília (DF); 2017.
5. Melo WA, Uchimura TT. Perfil e processo da assistência prestada ao recém-nascido de risco no Sul do Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2011;14(2):323-37.
6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual do Método Canguru: seguimento compartilhado entre a atenção hospitalar e a atenção básica. Brasília (DF); 2015.
7. Careti CM, Furtado MCC, Barreto JC, Vicente JB, Lima PR. Ações em saúde na atenção básica para redução da mortalidade infantil. Rev Rene. 2016;17(1):67-75.
8. Damasceno SS, Nóbrega VM, Coutinho SED, Reichert APS, Toso BRGO, Collet N. Saúde da criança no Brasil: orientação da rede básica à atenção primária à saúde. Ciênc Saúde Colet. 2016;21(9):2961-73.
9. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília (DF); 2017.
10. Almeida ER, Sousa ANA, Brandão CC, Carvalho FFB, Tavares G, Silva KC. Política Nacional de Atenção Básica no Brasil: uma análise do processo de revisão (2015-2017). Rev Panam Salud Publica. 2018;42:e180.
11. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Agenda de compromissos para a saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil. Brasília (DF); 2004.
12. Lamy ZC, Morsch D, Marba S, Lamy Filho F. O Método Canguru nos dias atuais. In: Procianoy RS, Leone CR, editores. PRORN: ciclo 14. São Paulo (SP): Secad; 2017. p. 11-41.
13. Feitosa MR, Gubert FA, Tomé MABG, Pinheiro MTM, Neves CS, Benevides JL, et al. Primary Health Care follow-up visits: investigation of care continuity of preterm newborns from a kangaroo-mother care unit. Int Arch Med. 2017;10(32):1-9.
14. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14a ed. São Paulo (SP): Hucitec; 2014.
15. Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2016.
16. Aires LCP, Santos EKA, Costa R, Borck M, Custódio ZAO. Baby follow-up in primary care: interface with the third stage of the kangaroo method. Rev Gaúcha Enferm. 2015;36:224-32.
17. Nascimento ML, Pieszak GM, Arrué AM, Carvalho SORM. Crianças egressas de terapia intensiva neonatal: implicações para as redes sociais de cuidado. Rev Rene. 2016;17(5):707-15.
18. Morais AC, Silva ACOC, Almeida CR, Lima KDF. Itinerário terapêutico de mães de crianças egressas do Método Canguru. Ciênc Cuid Saúde. 2017;16(2):1-6.
19. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido: método canguru: manual da terceira etapa do Método Canguru na Atenção Básica. Brasília (DF); 2018.
20. Aires LCP, Santos EKA, Bruggemann OM, Backes MTS, Costa R. Referência e contrarreferência do bebê egresso da unidade neonatal no sistema de saúde: percepção de profissionais de saúde da atenção primária. Esc Anna Nery. 2017;21(2):1-7.
21. Viera CS, Mello DF. O seguimento da saúde da criança pré-termo e de baixo peso egressa da terapia intensiva neonatal. Texto Contexto Enferm. 2009;18(1):74-82.
22. Sanches MTC, Buccini GS, Gimeno SGA, Bonamigo AW, Rosa TEC. Fatores associados à interrupção do aleitamento materno exclusivo de lactentes nascidos com baixo peso assistidos na atenção básica. Cad Saúde Pública. 2011;27(5):953-6.
23. Buccini GS, Sanches MTC, Nogueira-Martins MCF, Bonamigo AW. Acompanhamento de recém-nascidos de baixo peso pela atenção básica na perspectiva das equipes de Saúde da Família. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2011;11(3):239-47.
24. Veras RM, Traverso-Yépez MA. O cotidiano institucional do Método Mãe Canguru na perspectiva dos profissionais de saúde. Psicol Soc. 2011;23:90-8.
25. Klossoswski DG, Godói VC, Xavier CR, Fujinaga CI. Assistência integral ao recém-nascido prematuro: implicações das práticas e da política pública. Rev CEFAC. 2016;18(1):137-50.
26. Lamy ZC, Silva M, Morsch DS. Cuidado compartilhado entre a atenção hospitalar e a atenção básica. In: Sanches MTC, Costa R, Azevedo VMGO, Morsch DS, Lamy ZC, editores. Método Canguru no Brasil: 15 anos de política pública. São Paulo (SP): Instituto de Saúde; 2015. p. 187-207.
27. Campos GWS, Domitti AC. Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cad Saúde Pública. 2007;23(2):399-407.
28. Cunha GT, Campos GWS. Apoio matricial e atenção primária em saúde. Saúde Soc. 2011;20(4):961-70.
29. Iglesias A, Avellar LZ. Matriciamento em saúde mental: práticas e concepções trazidas por equipes de referência, matriciadores e gestores. Ciênc Saúde Colet. 2019;24(4):1247-54.
30. Nunes LO, Castanheira ERL, Dias A, Zarili TFT, Sanine PR, Mendonça CS, et al. Importance of local management for delivery of primary health care according to Alma-Ata principles. Pan Am J Public Heal. 2018;42:1-9.
Publicado
2020-08-12
Seção
Artigos originais de temas livres