HOSPITALIZAÇÕES POR LESÕES AUTOPROVOCADAS INTENCIONALMENTE NA BAHIA, BRASIL

  • Saulo Sacramento Meira Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Alba Benemérita Alves Vilela, Sra Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Óscar Manuel Soares Ribeiro, Dr Universidade do Porto
  • Ícaro José Santos Ribeiro Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Palavras-chave: Violência, Suicídio, Estatística, Tentativa de suicídio, Hospitalização

Resumo

Caracterizar as internações hospitalares decorrentes de lesões autoprovocadas intencionalmente no estado da Bahia, Brasil, no período de 2008 a 2016. Trata-se de um estudo observacional, descritivo, tendo como unidade de análise as notificações de internações hospitalares por lesões autoprovocadas intencionalmente no Sistema Único de Saúde. Identificaram-se 4.140 internações, sendo 66,5% do sexo masculino e 33,5% do sexo feminino; o maior tempo de permanência foi em idosos, com média de 3,47 dias. Houve predominância de autointoxicações voluntárias por álcool (média de 211,33 internações; DP = 53,33), seguidas das autointoxicações por pesticida/produtos químicos (média de 83,44 internações; DP = 7,35). A taxa de mortalidade foi de 4,05 para ambos os sexos, 4,2 para homens e 3,2 para mulheres. As hospitalizações por lesões autoprovocadas intencionalmente na Bahia nessa série histórica ocorreram em sua maioria em homens, sendo o álcool o mecanismo de lesão predominante; a permanência hospitalar foi maior em idosos, e a taxa de mortalidade geral por suicídio foi considerada baixa para a população estudada.

Biografia do Autor

Saulo Sacramento Meira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutor em Ciências da Saúde. Jequié, Bahia, Brasil.

Alba Benemérita Alves Vilela, Sra, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutora em Enfermagem. Professora do curso de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Jequié, Bahia, Brasil.

Óscar Manuel Soares Ribeiro, Dr, Universidade do Porto

Doutor em Ciências Biomédicas. Docente na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro. Investigador no Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde. Porto, Portugal.

Ícaro José Santos Ribeiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutor em Ciências da Saúde. Jequié, Bahia, Brasil

Referências

Guerreiro DF, Sampaio D. Comportamentos autolesivos em adolescentes: uma revisão da literatura com foco na investigação em língua portuguesa. Rev Port Saúde Pública. 2013;31(2):204-13.

Souza VS, Alves MS, Silva LA, Lino DCSF, Nery AA, Casotti CA. Tentativas de suicídio e mortalidade por suicídio em um município no interior da Bahia. J Bras Psiquiatr. 2011;60(4):294-300.

Overholser JC, Braden A, Dieter L. Understanding suicide risk: identification of high risk groups during high risk times. J Clin Psychol. 2012;68(3):349-61.

Chan LF, Shamsul AS, Maniam T. Are predictors of future suicide attempts and the transition from suicidal ideation to suicide attempts shared or distinct: a 12 month prospective study among patients with depressive disorders. Psychiatry Res. 2014;220(3):867-73.

Martins DF Jr, Felzemburgh RM, Dias AB, Caribé AC, Bezerra-Filho S, Miranda-Scippa Â. Suicide attempts in Brazil, 1998-2014: an ecological study. BMC Public Health. 2016;16:990.

Organização Mundial da Saúde. CID-10 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10a ed. rev. São Paulo (SP): Edusp; 2017.

Organização Mundial da Saúde. WHO Document Production Services. Mental Health Action Plan 2013-2020. Genève; 2013.

Organização Mundial da Saúde. Departamento de Saúde Mental e de Abuso de Substâncias. Prevenção do suicídio: um recurso para conselheiros. Série: Prevenção do suicídio: uma série de recursos. Genève; 2006.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Suicídio: tentativas e óbitos por intoxicação exógena no Brasil, 2007 a 2016. Bol Epidemiol. 2019;50(15):1-12.

Silveira RE, Santos AS, Ferreira LA. Impactos da morbimortalidade e gastos com o suicídio no Brasil de 1998 a 2007. Rev Pesqui. 2012;4(4):3033-42.

Organização Mundial da Saúde. Definition of key terms. Genève; 2013.

Organização Mundial da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília (DF): Opas; 2005.

Organização Mundial da Saúde. Departamento de Saúde Mental. Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da saúde em atenção primária. Genève; 2000.

Lovisi GM, Santos SA, Legay L, Abelha L, Valencia E. Epidemiological analysis of suicide in Brazil from 1980 to 2006. Rev Bras Psiquiatr. 2009;31(supl. 2):S86-93.

Organização Mundial da Saúde. Preventing suicide. CMAJ. 2014;143(7):609-10.

Gili M, Roca M, Basu S, Mckee M, Stuckler D. The mental health risks of economic crisis in Spain: evidence from primary care centers, 2006 and 2010. Eur J Public Health. 2013;23(1):103-8.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PNAD Contínua: desocupação vai a 8,9% no terceiro trimestre de 2015. Agência IBGE Notícias [Internet]. Rio de Janeiro (RJ); 2015 nov 24 [citado em 2020 agoi 31]. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/15165-pnad-continua-desocupacao-vai-a-8-9-no-terceiro-trimestre-de-2018

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: mercado de trabalho brasileiro: 3º trimestre de 2015. Rio de Janeiro (RJ); 2015 nov 24.

Babones SJ. Income inequality and population health: correlation and causality. Soc Sci Med. 2008;66(7):1614-26.

Suhrcke M, Stuckler D. Will the recession be bad for our health? It depends. Soc Sci Med. 2012;74(5):647-53.

Barr B, Taylor-Robinson D, Scott-Samuel A, McKee M, Stuckler D. Suicides associated with the 2008-10 economic recession in England: time trend analysis. BMJ. 2012;345:5142-9.

Stuckler D, Basu S, Suhrcke M, Coutts A, McKee M. The public health effect of economic crises and alternative policy responses in Europe: an empirical analysis. Lancet. 2009;374:315-23.

Kentikelenis A, Karanikolos M, Papanikolas I, Basu S, McKee M, Stuckler D. Health effects of financial crisis: omens of a Greek tragedy. Lancet. 2011;378:1457-8.

Organização Mundial da Saúde. Regional Office for Europe. Impact of economic crises on mental health. Copenhagen; 2011.

Gonçalves EMG, Ponce JC, Leyton V. Uso de álcool e suicídio. Saúde Ética Justiça. 2015:20(1):9-14.

Lima DD, Azevedo RCS, Gaspar KC, Silva VF, Mauro MLF, Botega NJ. Tentativa de suicídio entre pacientes com uso nocivo de bebidas alcoólicas internados em hospital geral. J Bras Psiquiatr. 2010:59(3):167-72.

Cardoso GT. Comportamentos autolesivos e ideação suicida nos jovens [dissertação]. Coimbra: Universidade de Coimbra; 2016.

Klimkiewicz A, Ilgen MA, Bohnert AS, Jakubczyk A, Wojnar M, Brower KJ. Suicide attempts during heavy drinking episodes among individuals entering alcohol treatment in Warsaw, Poland. Alcohol Alcohol. 2012;47(5):571-6.

Fudalej S, Ilgen M, Fudalej M, Wojnar M, Matsumoto H, Barry KL, et al. Clinical and genetic risk factors for suicide under the influence of alcohol in a Polish sample. Alcohol Alcohol. 2009;44(5):437-42.

Ribeiro DB, Terra MG, Soccol KLS, Schneider JF, Camillo LA, Plein FAS. Motivos da tentativa de suicídio expressos por homens usuários de álcool e outras drogas. Rev Gaúcha Enferm. 2016;37(1):1-7.

Abreu KP, Lima MAD, Kohlrausch E, Soares JF. Comportamento suicida: fatores de risco e intervenções preventivas. Rev Eletrônica Enferm. 2010;12(1):195-200.

Monteiro RA, Bahia CA, Paiva EA, Sá NNB, Minayo MCS. Hospitalizações relacionadas a lesões autoprovocadas intencionalmente, Brasil, 2002 a 2013. Ciênc Saúde Colet. 2015;20(3):689-99.

Bertolote JM, Fleischmann A, Butchart A, Besbelli N. Suicide, suicide attempts and pesticides: a major hidden public health problem. Bull World Health Organ. 2006;84(4):260.

Padilha PDM, Toledo CEM, Rosada CTM. Análise da dispensação de medicamentos psicotrópicos pela rede pública municipal de saúde de Campo Mourão/PR. Rev Uningá Rev. 2014;20(2):6-14.

Portugal. Ministério da Saúde. Direção-Geral da Saúde. Plano Nacional de Prevenção do Suicídio 2013/2017. Lisboa; 2013.

Lopes LMB, Grigoleto ARL. Uso consciente de psicotrópicos: responsabilidade dos profissionais da saúde. Braz J Health. 2011;2(1):1-14.

Castro MGGM, Ferreira AP, Mattos IE. Uso de agrotóxicos em assentamentos de reforma agrária no município de Russas (Ceará, Brasil): um estudo de caso. Epidemiol Serv Saúde. 2011;20(2):245-54.

Durkheim E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo (SP): Martins Fontes; 2000.

Maciel ACC, Guerra RO. Prevalência e fatores associados à sintomatologia depressiva em idosos residentes no Nordeste do Brasil. J Bras Psiquiatr. 2006;55(1):26-33.

Mitty E, Flores S. Suicide in late life. Geriatr Nurs. 2008;29(3):160-5.

Duarte MB, Rego MAV. Comorbidade entre depressão e doenças clínicas em um ambulatório de geriatria. Cad Saúde Pública. 2007;23(3):691-700.

Minayo MCS, Cavalcante FG. Suicídio entre pessoas idosas: revisão da literatura. Rev Saúde Pública. 2010;44(4):750-7.

Machado DB, Santos DN. Suicídio no Brasil, de 2000 a 2012. J Bras Psiquiatr. 2015;64(1):45-54.

Minayo MCS, Pinto LW, Assis SG, Cavalcante FG, Mangas RMN. Tendência da mortalidade por suicídio na população brasileira e idosa, 1980-2006. Rev Saúde Pública. 2012;46(2):300-9.

Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública. 2004;38(6):804-10.

Publicado
2020-10-20
Seção
Artigos originais de temas livres