PRÁTICA INTERPROFISSIONAL COLABORATIVA EM SAÚDE COLETIVA À LUZ DE PROCESSOS EDUCACIONAIS INOVADORES

  • Mússio Pirajá Mattos Universidade Federal do Espírito Santo
  • Daiene Rosa Gomes Universidade Federal do Espírito Santo
  • Maiara Macedo Silva Universidade Federal do Espírito Santo
  • Samara Nagla Chaves Trindade Universidade Federal do Espírito Santo
  • Elizabete Regina Araújo de Oliveira Universidade Federal do Espírito Santo
  • Raquel Baroni de Carvalho Universidade Federal do Espírito Santo
Palavras-chave: Educação interprofissional, Aprendizado colaborativo, Relações interprofissionais, Comportamento cooperativo, Aprendizagem ativa

Resumo

A educação interprofissional (EIP) em saúde é uma atividade que envolve dois ou mais profissionais que aprendem juntos de modo interativo para melhorar a colaboração e qualidade da atenção à saúde. Assim, este estudo tem o objetivo de compartilhar a vivência do uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem na prática interprofissional colaborativa com educadores da saúde coletiva. Trata-se de um relato de experiência da oficina “Dialogando com a interprofissionalidade”. A prática do “acolhimento” foi a abordagem escolhida para iniciar o diálogo da interprofissionalidade, com a finalidade de construir uma rede de confiança e solidariedade. No “(re)conhecimento interprofissional”, os participantes refletiram sobre as novas possibilidades para a produção do cuidado compartilhado. A formação dos grupos foi pautada na interação dialógica, através do “colar diversidade”, que possibilitou a construção de um ambiente descontraído e participativo. Com a “viagem educacional” foram gerados sentimentos e racionalidades que contribuíram para o desenvolvimento da colaboração, respeito mútuo, confiança e reconhecimento das diversas profissões, com interdependência e complementaridade dos saberes e ações, para o cuidado integral. Na “ciranda da interprofissionalidade” houve a expressão de sentimento de alegria, descontração, satisfação, inclusão, interação e colaboração, com o despertar de um coletivo unido pelo desejo de mudanças na sua práxis. Por fim, a prática interprofissional colaborativa em saúde foi destacada como uma estratégia essencial para se alcançar a integralidade do cuidado. A abordagem da EIP à luz de processos educacionais inovadores tornou a aprendizagem mais afetiva, alegre, problematizadora e com maior tomada de decisões.

Biografia do Autor

Mússio Pirajá Mattos, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutorando em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Espírito Santo. Docente do Centro das Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal do Oeste da Bahia. Barreiras, Bahia, Brasil.

Daiene Rosa Gomes, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Espírito Santo. Docente do Centro das Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal do Oeste da Bahia. Barreiras, Bahia, Brasil.

Maiara Macedo Silva, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Espírito Santo. Docente do Centro das Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Federal do Oeste da Bahia. Barreiras, Bahia, Brasil.

Samara Nagla Chaves Trindade, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Brasil. Universidade Federal do Oeste da Bahia, Barreiras, Bahia, Brasil.

Elizabete Regina Araújo de Oliveira, Universidade Federal do Espírito Santo

Docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGSC-UFES), Vitória, Brasil.

Raquel Baroni de Carvalho, Universidade Federal do Espírito Santo

Docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGSC-UFES), Vitória, Brasil.

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Publicado
2020-10-20
Seção
Relato de experiências