ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL NO ESTADO DE PERNAMBUCO: UM ESTUDO COMPARATIVO DE INQUÉRITOS

  • Rachel Sá Barreto Luna Callou Cruz Universidade Regional do Cariri
  • Maria de Fátima Costa Caminha, Dra. Faculdade Pernambucana de Saúde
  • Sandra Hipólito Cavalcanti, Dra. Faculdade Pernambucana de Saúde
  • Suzana Lins da Silva, Dra Faculdade Pernambucanda de Saúde
  • Silvia Pereira da Silva de Carvalho Melo, Me Instituto Aggeu Magalhães
  • Malaquias Batista Batista Filho, Dr Instituto de Medicina Integral
Palavras-chave: Cuidado pré-natal, Saúde da mulher, Saúde da criança

Resumo

A assistência pré-natal se destaca como fator essencial na proteção e prevenção a eventos adversos sobre a saúde do binômio mãe e filho, possibilitando a identificação e o manuseio clínico de intervenções oportunas sobre potenciais fatores de risco para complicações à saúde. Objetiva-se descrever e comparar as principais características da assistência pré-natal nos anos de 1997 e 2006, no estado do Pernambuco. Realizou-se estudo de base populacional, observacional, de coorte transversal, utilizando dados secundários, extraídos de informações dos bancos de dados das segunda e terceira Pesquisas Estaduais de Saúde e Nutrição, realizadas nos anos de 1997 e 2006, respectivamente. Considerou- -se satisfatória, em 2006, a assistência pré-natal que atendeu três das recomendações mínimas preconizadas pelo Ministério da Saúde: início do pré-natal até a 16ª semana de gestação, seis ou mais consultas e orientações sobre razões e prática do aleitamento materno. Houve importante melhora na assistência pré-natal em 2006 (acréscimo de 17,1%) quando comparada a 1997. O pré-natal no ano de 2006 foi mais satisfatório para as mulheres com 20 a 35 anos (60,7%), brancas (60,0%), de maior escolaridade (71,8%), com renda superior ou igual a um salário-mínimo (75,8%), com dois a três filhos (63,1%) e residentes na Região Metropolitana do Recife (68,3%). Apresentou-se menos satisfatório para as mulheres trabalhadoras (54,7%) e do interior rural (49,1%, p < 0,001). Apesar da ampliação da cobertura do pré-natal, ressalta-se a necessidade de melhorar sua qualidade, visando promover a saúde de forma integral, especialmente em comunidades carentes, onde prevalecem os fatores de risco.

Biografia do Autor

Rachel Sá Barreto Luna Callou Cruz, Universidade Regional do Cariri

Enfermeira. Doutora em Saúde Materno Infantil. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri. Crato, Ceará, Brasil.

Maria de Fátima Costa Caminha, Dra., Faculdade Pernambucana de Saúde

Enfermeira. Pós-Doutora em Saúde Materno Infantil. Professora e pesquisadora do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira. Recife, Pernambuco, Brasil.

Sandra Hipólito Cavalcanti, Dra., Faculdade Pernambucana de Saúde

Enfermeira. Mestre em Saúde Materno Infantil. Professora da Faculdade Pernambucana de Saúde. Recife, Pernambuco, Brasil.

Suzana Lins da Silva, Dra, Faculdade Pernambucanda de Saúde

Enfermeira. Doutora em Saúde Materno Infantil. Professora e pesquisadora do Instituto de Medicina Integral
Prof. Fernando Figueira. Recife, Pernambuco, Brasil.

Silvia Pereira da Silva de Carvalho Melo, Me, Instituto Aggeu Magalhães

Nutricionista. Doutoranda em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz/Instituto Aggeu Magalhães. Recife,
Pernambuco, Brasil.

Malaquias Batista Batista Filho, Dr, Instituto de Medicina Integral

Médico. Doutor em Saúde Pública. Professor e pesquisador do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira. Recife, Pernambuco, Brasil.

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Publicado
2019-12-12
Seção
Artigos originais de temas livres