CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS POR TRABALHADORES: UM ESTUDO TRANSVERSAL

Palavras-chave: Consumo de alimentos, Saúde do trabalhador, Estudos transversais

Resumo

Este trabalho tem como objetivo avaliar o consumo regular de alimentos ultraprocessados por trabalhadores. Trata-se de um estudo transversal realizado com uma amostra representativa dos funcionários da universidade da cidade de Criciúma, Santa Catarina, por meio da aplicação de questionário incluindo informações demográficas, socioeconômicas e comportamentais. A variável desfecho “consumo de alimentos ultraprocessados” foi avaliada através do consumo, referente à semana anterior à entrevista, de pelo menos um dos seguintes grupos alimentares: doces, refrigerantes ou suco artificial. O consumo regular foi definido pela frequência de, no mínimo, cinco dias na semana. A associação entre o desfecho e as variáveis de exposição estudadas foi realizada através do teste Qui-quadrado de Pearson, utilizando nível de significância de 5%. Dos 214 funcionários entrevistados, um terço referiu consumo regular de alimentos ultraprocessados (33,6%; IC95% 27,3-40,0). O consumo regular de refrigerantes e suco artificial foi referido por cerca de 15% dos funcionários, enquanto um maior percentual foi encontrado entre aqueles que consumiam doces regularmente (22,9%). Não foi evidenciada associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e as variáveis sexo, idade, estado civil e escolaridade. Diante da elevada prevalência de consumo regular de alimentos ultraprocessados, enfatiza-se a necessidade de desenvolvimento de intervenções e/ou de programas de promoção da saúde no ambiente de trabalho e voltados a mudanças no comportamento alimentar.

Biografia do Autor

Fernanda de Oliveira Meller, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Doutora em Epidemiologia. Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Extremo Sul Catarinense. Criciúma, Santa Catarina, Brasil.

Antonio José Grande, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Doutor em Medicina Interna e Terapêutica. Professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Micaela Rabelo Quadra, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Mestranda em Saúde Coletiva no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Extremo Sul Catarinense. Criciúma, Santa Catarina, Brasil.

Antônio Augusto Schäfer, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Doutor em Epidemiologia. Professor titular do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Extremo Sul Catarinense. Criciúma, Santa Catarina, Brasil.

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Publicado
2020-03-31
Seção
Artigos originais de temas livres