O PLANEJAMENTO FAMILIAR E A MORTALIDADE MATERNA POR ABORTO

  • Nathalie Luciano dos Santos
  • Emerson Garcia Universidade Federal da Bahia
Palavras-chave: Planejamento familiar, Aborto, Saúde da mulher

Resumo

A mortalidade materna é considerada um excelente indicador de saúde, não apenas da mulher, mas da população como um todo. No Brasil, a morte materna configura-se como um problema de saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, as altas taxas de mortalidade materna compõem um quadro de violação dos direitos humanos de mulheres e de crianças, atingindo desigualmente aquelas das classes sociais com menor ingresso e acesso aos bens sociais nas várias regiões brasileiras. O planejamento familiar, quando oferecido de forma contínua e prolongada, pode contribuir para a redução do número de gestações indesejadas, de abortos ilegais e da mortalidade materna. Trata-se de estudo de revisão sistemática de literatura do tipo exploratória com abordagem qualitativa. Após a leitura seletiva das referências, teve início a fase analítica. Realizou-se o grupamento em duas categorias temáticas, a seguir discriminadas: (1) o homem no planejamento familiar; (2) contracepção pós-abortamento e redes de cuidado. No que tange ao aborto, a participação masculina é de extrema relevância, pois a não aceitação da gravidez ou o abandono do parceiro são alguns dos motivos que levam a mulher ao aborto provocado. O cuidado integral à saúde da mulher em situações de abortamento deve incluir, além do tratamento de emergência, o acesso universal ao planejamento reprodutivo, inclusive orientações para as mulheres que desejam uma nova gestação.

Biografia do Autor

Nathalie Luciano dos Santos

Enfermeira. Especialista em Enfermagem do Trabalho. Salvador, Bahia, Brasil.

Emerson Garcia, Universidade Federal da Bahia

Enfermeiro. Doutorando em Administração pela Universidade Federal da Bahia. Salvador, Bahia, Brasil.

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Publicado
2020-11-25
Seção
Relato de experiências